Esteira de veleiro em mar escuro, com linha vermelha

Planejamento estratégico para PMEs: do OKR ao plano que a equipe executa

Muitas empresas médias fazem planejamento estratégico uma vez por ano, em uma reunião de um ou dois dias e saem dela com um documento bem escrito. Três meses depois, o documento está numa pasta e a rotina da empresa seguiu o rumo que já tinha. O problema raramente está na qualidade da análise. Está na distância entre o que foi decidido e o que as pessoas fazem na segunda-feira.

Na PME essa distância tem causas próprias. A equipe é enxuta, cada pessoa acumula funções e a urgência do dia a dia vence a prioridade de médio prazo. Um plano que ignora essa realidade não sobrevive ao primeiro trimestre. Um plano desenhado para ela, sim.

Onde o OKR entra

OKR, sigla de Objectives and Key Results, é um método para traduzir a direção da empresa em objetivos qualitativos e resultados-chave mensuráveis. Nasceu na Intel e ficou conhecido fora dela pela adoção no Google, difundida pelo livro de John Doerr, Measure What Matters. Seu mérito é obrigar a empresa a dizer, em poucas linhas, o que quer alcançar e como saberá que alcançou.

O método sozinho não faz o plano funcionar. Empresas que o adotam sem escolher bem o que perseguir acabam com uma lista de objetivos sem prioridade, apenas mais bem formatada que antes. Por isso o OKR é o meio do caminho: vem depois das escolhas estratégicas e antes da rotina de execução.

Cinco passos para um plano que a equipe executa

1. Escolher poucas apostas. Estratégia é decidir o que não será feito. Defina de duas a quatro apostas para o período, aquelas que mudariam de fato a posição da empresa e deixe o resto como operação normal. Um plano com dez prioridades não tem nenhuma.

2. Traduzir cada aposta em um objetivo e em resultados-chave. O objetivo diz onde se quer chegar, em uma frase que qualquer pessoa da empresa entenda. Os resultados-chave dizem como se saberá que chegou, com número e prazo. “Ser referência no atendimento” é um desejo. “Reduzir o prazo de resposta ao cliente para um dia útil até o fim do semestre” é um resultado-chave.

3. Dar a cada resultado um responsável e uma alçada. Resultado sem nome não tem quem o conduza. O responsável precisa também de autoridade para decidir sobre o que está ao seu alcance, sem recorrer ao fundador a cada passo. Esse é o ponto em que o planejamento encontra a governança e o desenho da empresa: um plano bom com decisões presas em uma única pessoa não anda.

4. Criar um ritmo de acompanhamento. Uma reunião curta e regular, de quinze a trinta minutos, com uma pauta fixa: o que avançou, o que travou, o que precisa de decisão. O acompanhamento semanal ou quinzenal evita que o plano seja redescoberto só no fim do trimestre.

5. Revisar e ajustar com regra. O mercado muda e o plano precisa mudar com ele, mas por critério e não por impulso. Defina antes quando e como o plano será revisto, quais evidências justificam trocar uma aposta e quem aprova a troca. Ajustes sequenciais, significativos e frequentes mantêm o plano vivo sem fazê-lo perder o rumo.

Erros que mais travam a execução

Os mais comuns são fazer o plano sem a participação de quem vai executá-lo, definir metas que ninguém consegue medir, transformar o OKR em lista de tarefas e usar o acompanhamento para cobrar em vez de decidir. Há também o plano sem conexão com os recursos: a empresa decide perseguir quatro apostas sem ter gente nem caixa para duas.

Quando o planejamento precisa de apoio externo

Um olhar de fora, como o de uma consultoria para PME, ajuda especialmente em três situações: quando a liderança está imersa demais na operação para enxergar as escolhas, quando há divergência entre sócios sobre a direção da empresa e quando o plano exige validar um mercado, um negócio ou um investimento antes de comprometer recursos. Nesses casos, testar as hipóteses com evidência antes de decidir custa menos do que corrigir a decisão depois.

O passo seguinte

Na iRealize™, o desenvolvimento de negócios trata justamente dessa etapa: validar novos negócios, mercados e investimentos antes que os recursos sejam comprometidos, para que o crescimento se apoie em evidência. Se a sua empresa está definindo o próximo ciclo e quer que o plano chegue à execução, a página de Desenvolvimento de Negócios descreve como conduzimos esse trabalho.

Quando a mudança precisa permanecer depois do trabalho, o formato é a Mentoria Organizacional: a liderança da empresa é acompanhada enquanto aprende a sustentar o que foi construído.

Retrato de Renato Araujo Silva
Fundador & Chief Transformation Engineer, iRealize™ Engenharia Organizacional

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